Mudança de ares

Liiindos!

Resolvi começar um novo projeto e coloquei no ar o Blog “Que minha mãe não leia, AMÉM!” Nele, tentarei manter o estilo romântico, mas com um pouco mais de suavidade ou graça.

Espero que deem uma passadinha lá e deixem seus recados!

Um beeeeijo!

http://www.queminhamaenaoleia.wordpress.com

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queminhamaenaoleia

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Se o mundo fosse um vagão feminino…

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Não que eu precise de alguém que abra a compota de doce de leite ou o pote de azeitonas para mim. Muito mesmo seria por não saber furar a parede para pendurar meus quadros e porta-retratos. E, para falar a verdade, matar baratas nunca foi tão assustador assim… O problema é ter de confessar- talvez até com um pouco de arrependimento antecipado na voz- que não imagino o cotidiano sem a maldita bendita presença masculina.  Sem politicagem, duvido que vivêssemos sem nossos amores-cachorros. Eu mesma faria um estoque de batons, sutiãs de enchimento e esmalte, arrumaria minhas malas e viajaria, sem escalas, para Marte, se lá eles estivessem. De certo, teríamos ruas mais limpas, com botecos sujos e a grande maioria das cervejarias quase falidos. Aboliríamos os jogos de futebol de domingo, os buzinaços, as axilas duvidosas logo pela manhã e, principalmente, as cantadas- sempre péssimas- na balada. Feliz ou infelizmente, o sonho acaba quando 7 bilhões de mulheres, coincidentemente, compartilham não só dicas de moda, como também as farpas e a indesejada tensão mensal. Além disso, nos arriscaríamos a trocar risadas charmosas e bochechas rubras por um falatório sem fim: todas e ao mesmo tempo num emaranhado de fios de cabelo e linhas cruzadas. Aliás, sem que eles nos criem problemas, do que falaríamos se não mal da nova estagiária, do cabelo da vizinha e do quase crime da moda cometidos diariamente pela síndica do condomínio?! Competiríamos inconscientemente e nos cobraríamos tanto quanto quando brigávamos por espaço com os chefes mal encarados. Faríamos de um dia de sol na praia um verdadeiro inferno astral. Afinal, gordurinhas, estrias e celulites já não seriam mais assunto banal. De tanto que tentaríamos ser a mulher-incrível-sensual-bem-sucedida-rica e, ainda por cima, MAGRA, não teríamos mais tempo para sentar de pijama no sofá e relaxar. 

Faltaria-nos uma conversa menos apropriada, um segredo sussurrado e um pouco da maledicência que só os homens têm. Dizem por aí que, além das fibras, do cálcio e das calorias magras, um pouco de “lelelê”, como os novos “universitários” cantam por aí, também fazem muito bem! Posso apostar, se não concordar, que explodiríamos a Terra em menos de uma semana sem. 

Anne Py

30

Eu tenho a mim e a mim mesma. Isso e um fio de lua no canto da janela. Tenho a rua. Um passarinho no estômago e uma raspa de qualquer coisa na panela. Ah, e esperança! Talvez também uma ou seis contas vencidas… Tenho a mim e a mim mesma. Contudo, venho gastando horas pensando, se por descuido, falta de zelo ou preguiça eu falhe e me falte?! Rezo a Deus que me guarde. Talvez essa brisa que é ser sozinha já não me baste.

Anne Py

Coming back

Com o peso das malas e o de sua própria história nas costas, andava no saguão do aeroporto. Tudo que dera errado, insistentemente, saltava em sua memória, num imenso flash de más recordações. Não sabia mais distinguir quais criara, na distração dos seus dias, para justificar o final, daquelas que, infelizmente, rascunharam, de fato, o tal “the end” em letras de punho e grafite grosso. Antes, acreditava que sua liberdade nunca seria sufocada. “Dê esse e outros conselhos para pessoas fracas” -soprava. Mas foi ela mesma que, com o passar dos dias, sem notar, morria lentamente com suas pequenas apneias diárias… E como relutou para admitir! Ouvindo uma conversa de bar, sentiu a mesma arrogância na voz de uma menina de no máximo vinte. Se ressentiu. Caiu em si, como uma criança que, de boba, caiu da balança. Bebeu coragem com leite em pó no café da manhã, varreu os seus cacos do chão do quarto e os colou, um a um. Não lamentou. Forrou a metade da cama. Tomou somente a metade do último café. Nem ao menos lavou a louça- preferiu lavar as mãos. Fechou a porta e deixou a chave debaixo do tapete azul. Um bilhete na geladeira: sem letras, rabiscou alguns pássaros seguindo a correnteza dos ventos que vão para o Sul. E, então, seria mais bonito se risse ou chorasse? Com a metade do coração na boca e a outra na mão, voltava para casa.

Anne Py

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Ensandecidas

Não me venham contar histórias de terror sobre assaltos, terremotos, aliens ou tsunames. Isso até me assusta, confesso, mas não me dá dois décimos do medo que as mulheres me dão. De mim e delas, só existe duas espécies e, como os celulares e o mundo hi-tech, em vários modelos, templates e versões.

De um lado, as apaixonadas. Loucas, sofrem por qualquer meio segundo de espera, gritando a necessidade de um retorno: uma ligação, uma mensagem, uma pedrinha na janela, um e-mail surpresa- ora, que seja!- piscando no outlook do trabalho- acredite, é proibido, mas, até onde sei, não consta nos autos como pecado!

Andam de um lado para o outro, desabafam com um ou… bom, todos. Pedem opiniões para o barman e até envolvem o camelô no seu fuzuê de amor. Mas será mesmo que os ouvem?

E elas adormecem com os olhos fixos e abertos, assistindo ao encontro da sexta passada na cabeça, desejando reviver, em carne e osso, todo aquele romance, que, se fosse filmado, teria audiência muito maior do que a novela das oito! Ganharia não pelo melodrama, é claro, mas pelo tempero. Amor nu e- cá entre nós- insuportavelmente envolvente.

Vivem entre o desespero incontido de um possível “não” e a paz da paixão cega que arrepia, que aquece, que… Deixemos o assunto, então, para fora do horário nobre- por favor, tenham dó dos que desse mal sofrem!

 Ah, e as outras… Já que não apaixonadas, a-ten-ta-das. Fazem o mesmo, com mais gosto e em dobro. Acrescentam à receita, apenas, um bocado de pimenta malagueta e meia dúzia de desculpas esfarrapadas, como se no lugar do coração, tivessem um fígado baqueado pelas tequilas, sempre aguardando um estúpido final. Digo, uma morte sem tortura ou frescuras. Evitariam, assim, os olhos fundos, as filas e a UTI. Intitulam—se “práticas”. Brincando com fogo num imenso ninho de rato, ignorando, assim, as queimaduras que já ardem.

Mas o ponto chave que as diferencia – e fique atento a este imenso detalhe- é que a segunda quer, como a primeira, se entregar, mas não está mais disposta, por muitos motivos que não nos vale à pena comentar, voltar a amar.Imagem

Brincando de Rock Star

Há quem acredite que declarar-se eterno solteiro em busca de aventura, noitadas e mulheres fáceis é ser porra-louca. Pois bem, eu já penso diferente.  Admitir sentir frio na barriga e, dizer que até se arrepia quando vê alguém, necessita de uma dose muito maior de loucura- e não me refiro àquelas momentâneas, de final de semana ou, pior, de término de namoro. A isso, darei o nome de consolo. Falo de uma loucura logisticamente calculada que só os apaixonados têm. O pobre que fora, sem dó, atingido pela flecha, abandona a própria profissão, amigos e diversão para dedicar-se ao seu novo hobby. Torna-se, por próprio gosto, estrategista.  Perde horas imaginado reações, esboçando todas as possibilidades e probabilidades no travesseiro.  Redesenha cada passo, frase ou gesto até que tudo realmente pareça completo. Esquematiza o melhor dia, põe a gravata borboleta amarela e dá um novo laço no tênis azul. Enche-se de coragem, estufa o peito e…   E, ainda assim, fazer com que as cordas vocais trabalhem e soprem um simples-eu disse simples? !-“eu te amo”, continua a ser tão doloroso quanto acordar cedo numa segunda de chuva. Afinal, ao envolver o outro nos seus longos rascunhos de amor, assume-se, imediatamente, o risco do que se esconde entre o “Felizes para sempre” e o “sim”. É a felicidade de toda uma vida que está em jogo, imagina! Então, vá sempre com calma quando ficar de “mi-mi-mi-amo-você” por aí. Antes de tudo, é bom ver se tem pulso! Podes me dizer que o mundo mudou, mas, para mim, depois do casamento, Deus não inventou nada mais Rock ‘n’ Roll.

Anne PyImagem

A menina da xerox

Poucos são os que sabem o que permeia o coração dela. Seus planos, pensamentos, sonhos. O que embala seu sono… E ela acorda cedo todas as manhãs, passa um dobrado, alimenta as olheiras e, mesmo assim, scanneia sem parar. De novo e mais uma vez, num tedioso ciclo sem fim. 

Prepara o café, dá ombro- e também colo- a quem quer e, com seu sorriso doce, confunde quem ouve seus passos fortes e, logo depois, depara-se com a silhueta de mulher. De salto, reza por pés descalços. Reza…

Anda pelo corredor longo e bege. Sente o frio dos olhos que se abaixam para que não cruzem com os seus. “Queria pintá-las de qualquer cor menos clichê. Brincar, como quando criança, de colorê.”- distraía-se, às vezes, se interessando mais pelas paredes e cada vez menos pelas pessoas. Passaram-se um, dois, incontáveis dias….

Levanta a tampa, põe a folha, aperta o mesmo botão. Mas quem sabe o quanto mais poderia fazer? E quem sentiria sua falta se ela num susto viesse a se esconder? Poderia ser para sempre… Achariam por bem não procurá-la embaixo da cama ou, pior, no alto de um dos tantos prédios?!

Ah, a menina da xerox… Passa o dia em silêncio, juntando coragem de gritar- aceitaria até sussurrar apenas- que assim não quer, não pode e, decidiu, não mais vai viver. Desligou a máquina e disse adeus. Apagaram-se, enfim, todas as luzes.

Anne Py – em clima bad

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